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15 de ago de 2012

COMUNIDADE DO CONDADO - Novo lixão ou descaso?

     Dizem que as fotos falam e neste caso acreditamos que sim !
     A comunidade do Condado sem caçambas para coleta do lixo ou coleta adequada por parte do ente público sofre com um lixão em formação bem na entrada, quase na cabeceira da ponte. 
Será que nossos vereadores por estarem sob eleições próximas acreditam que estão isentos de seu trabalho? Será que os Administradores Públicos acreditam que por estarem próximos ao fim de seu mandato não carecem de cumprir com suas obrigações (as mais básicas) com a cidade que administra?       Onde está a LOCANTY e seus serviços? Aliás serviços pagos e muito bem pagos...
Pois bem, os cidadãos estão vendo e vivenciando na pele o descaso e a total falta de cuidado que se acentua neste momento.










     Insistimos a população não deseja circo, fotos nem carros de som. A população exige respeito! A população exige respeito com o dinheiro público e onde este está sendo aplicado. Com certeza neste caso ele não está sendo empregado. E... estamos falando de uma situação básica (coleta e destino correto do lixo de uma comunidade) cujos efeitos do descaso são os mais terríveis.
     Estamos de olho e aguardando providências urgentes quanto a este problema que ao final é de todos nós.

7 de ago de 2012

TCE -RELATÓRIO DE INSPEÇÃO ESPECIAL - PROCESSO: TCE-RJ No 236.224-7/11 ORIGEM: PREFEITURA MUNICIPAL DE PARATY



 ÍNTEGRA DO RELATÓRIO DO TCE


 TCE-RJ PROCESSO Nº 236.224-7/11 RUBRICA: FLS.: 2509


 TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
GABINETE DO CONSELHEIRO JOSÉ GOMES GRACIOSA

VOTO GC-2 90248/2012


PROCESSO:

TCE-RJ No 236.224-7/11
ORIGEM:
PREFEITURA MUNICIPAL DE PARATY
ASSUNTO:
RELATÓRIO DE INSPEÇÃO ESPECIAL


 Trata o presente processo de Relatório de Inspeção Especial, realizada na Prefeitura Municipal de Paraty, no período de 24.10 a 25.11.2011, para apurar os fatos consubstanciados na Denúncia formalizada no processo TCE-RJ nº 217.452-9/11, em anexo.

A referida Denúncia relatava a ocorrência de graves irregularidades na Tesouraria da Prefeitura, que, se confirmadas, poderiam caracterizar um “esquema” montado para desvio de recursos financeiros do Município. Dada a importância do fato, a Presidência desta Corte autorizou a realização desta Inspeção Especial, cujos resultados atestam o desvio de recursos da ordem de 260.004,04 UFIR-RJ, que atualizados, nesta data, correspondem a R$ 591.561,19 (quinhentos e noventa e um mil, quinhentos e sessenta e um reais e dezenove centavos), durante os exercícios de 2010 e 2011.
O esquema montado pelos fraudadores consistia, basicamente, em sacar cheques da conta da Prefeitura diretamente “na boca do caixa”, apossando-se de recursos advindos do recolhimento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN, que eram lançados à menor nos registros do “Movimento Diário de Tesouraria”.
Neste contexto, urge destacar que o Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISSQN tem como fato gerador a prestação, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, de serviço especificado em lista, conforme previsto no capítulo II do Código Tributário do Município de Paraty – Lei Municipal nº 001 de 31/12/1991.
Assim, a arrecadação do ISSQN dá-se por dois métodos:
- Por meio da rede bancária, nos termos da regulamentação da legislação tributária municipal, com o suporte em acordos firmados com os bancos, e - Mediante a retenção do imposto no momento do pagamento, nos casos em que o Município contrata prestador de serviço cuja sede seja em outro município.
A Equipe de Inspeção verificou que não há segregação contábil entre o ISSQN arrecadado por meio da rede bancária daquele arrecadado mediante retenção do imposto no pagamento direto aos prestadores de serviço. Assim, ante a ausência de uma fonte de informação confiável e utilizando-se das informações apuradas nos Movimentos Diários de Tesouraria, estima-se que aproximadamente 20% da arrecadação do ISSQN, referem-se à parcela arrecadada mediante a retenção do imposto no pagamento aos prestadores de serviço, o que representa uma arrecadação média anual da ordem de R$1.000.000,00 (um milhão) nos exercício de 2010 e 2011 (até outubro).
Além desta forma de fraude, foi apurada a existência de outra que permitia a ocorrência de retiradas ilegais mesmo não havendo a ocorrência de qualquer tipo de retenções nos pagamentos efetuados.
Foram identificados débitos efetuados mediante o pagamento de cheques ou autorizações de débito sem o respectivo processo de pagamento no montante de R$24.360,00, sendo R$4.780,00 em 2010 e R$19.580,00 em 2011.
Por fim, verificou-se, ainda, o pagamento de dois cheques no valor total de R$9.850,00 sem o devido registro no Movimento Diário de Tesouraria.

O débito total apurado pela Equipe de Inspeção encontra-se no quadro abaixo, que atualizado pela UFIR de 2012 (2,2752) é de R$ 591.561,19. Descrição
Valor em R$
Valor em UFIR-RJ
Registro a menor do ISSQN
509.820,23
241.576,33
Outros saques irregulares
29.220,00
13.814,56
Cheques pagos e não registrados
9.850,00
4.613,15
Total
548.890,23
260.004,04

Assim sendo, a Instrução conclui da forma como transcreve-se:
“3.1 - Que sejam consideradas ilegítimas e ilegais as despesas elencadas a seguir, tendo em vista os comentários constantes do tópico 2.1 do Relatório.
3.2 - A conversão do presente processo em Tomada de Contas ex officio, conforme dispõe o art. 52 da Lei Complementar nº 63/90 c/c o parágrafo único do artigo 12 do mesmo diploma legal.
Apuração de débito no montante de R$548.890,23, equivalente a 260.004,04 UFIR-RJ, referente a diversas retiradas efetuadas nas contas correntes da Prefeitura sem o correspondente processo de despesa
3.2.1 - Despesas referentes a diversas retiradas das contas correntes da Prefeitura sem o correspondente processo de formalização da despesa (tópico 2.1 do Relatório):

Descrição
Valor em R$
Valor em UFIR-RJ
Registro a menor do ISSQN
509.820,23                 
241.576,33
Outros saques irregulares
29.220,00
13.814,56
Cheques pagos e não registrados
9.850,00
4.613,15
Total
548.890,23
260.004,04

3.3.1 – Nos termos do Art. 62 da Lei Complementar nº 63/90, caso os responsáveis sejam julgados em débito, poderá ainda esta Corte de Contas aplicar-lhes multa de até 100% (cem por cento) vezes do dano causado ao erário.
3.3.2 – Após o estabelecimento do direito à ampla defesa e ao contraditório e considerando tratar-se de conduta altamente reprovável e objetivando a asseverar maior rigor à Decisão com o intuito de tolher a ocorrência desta prática nefasta, esta Corte poderá aplicar multa, com fulcro no artigo 63, inciso III, aos responsáveis, independentemente da decisão que venha determinar a reparação do dano ao erário, bem como independentemente de futuro ressarcimento do débito atualizado.
3.5 - Notificação, nos termos do § 2º do art. 6º da Deliberação TCE nº 204/96, na forma do artigo 26 e incisos do Regimento Interno desta Corte de Contas, aprovado pela Deliberação TCE nº 167/92, em prazo a ser fixado peloEgrégio Plenário, a Sra. Rosangela Reinalda Ramos, Diretora do Departamento de Contabilidade da Prefeitura Municipal de Paraty, para que:
Apresente razões de defesa pela ausência do controle e não efetivação de análises contábeis, omitindo-se ou abstendo-se em praticar tempestivamente ação que lhe competia, em face de suas atribuições profissionais previstas na Legislação – Decreto-Lei nº486/69, Decreto-Lei nº 9295/46, Resoluções do CFC nº 560/83 e nº 803/96 e art. 1182 da Lei nº 10.406/2002, conforme tópico 2.1 do Relatório, o que deu azo a não detecção da utilização irregular da conta “CAIXA”, artifício utilizado para escamotear a ocorrência de desvio de recursos da Prefeitura por longo período.

3.6 - Notificação, nos termos do § 2º do art. 6º da Deliberação TCE nº 204/96, na forma do artigo 26 e incisos do Regimento Interno desta Corte de Contas, aprovado pela Deliberação TCE nº 167/92, em prazo a ser fixado pelo Egrégio Plenário, a Sr. André Inácio Magarão, Diretora do Departamento de Controlador Geral do Município de Paraty, para que:
Apresente razões de defesa pelo fato não examinar a integridade, adequação e eficácia dos controles internos no setor financeiro e na arrecadação municipal, bem como os possíveis reflexos contábeis das informações geradas por estas áreas, omitindo-se ou abstendo-se em praticar tempestivamente ação que lhe competia, em face de suas atribuições profissionais previstas na Legislação – Art. 54 da Lei Complementar nº 63/90 e Art. 4º da Deliberação TCE nº 200/96, conforme tópico 2.1 do Relatório, o que deu azo a não detecção da utilização irregular da conta “CAIXA”, artifício utilizado para escamotear a ocorrência de desvio de recursos da Prefeitura por longo período.

3.7 - Comunicação, nos termos do § 1º do art. 6º da Deliberação TCE nº 204/96, na forma do artigo 26 e incisos do Regimento Interno desta Corte de Contas, aprovado pela Deliberação TCE nº 167/92, em prazo a ser fixado pelo Egrégio Plenário, a empresa SMARAPD Informática Ltda., localizada no endereço: Rua Aurora, 446, Vila Tibério, Ribeirão Preto - São Paulo - CEP: 14050-100 (Fonte: www.smarapd.com.br), na pessoa de seus responsáveis, para que apresentem esclarecimentos acerca das condições que permitiram a concretização das irregularidades ocorridas na Prefeitura Municipal de Paraty, tendo os servidores municipais se utilizado das funcionalidades do sistema informatizado por ela fornecido, conforme tópico 2.1 do Relatório.
3.8 - Expedição de Ofício às unidades de Auditoria Interna do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, para ciência e providências cabíveis relativamente à ocorrência de diversos saques irregulares em contas correntes da Prefeitura de Paraty nas respectivas agências localizadas naquele município, considerando a possível inobservância à Lei Federal nº 9.613, de 3 de março de 1998 e à Circular nº 3461, de 24 de julho de 2009, do COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras, conforme tópico 2.1 do Relatório.
3.9 - Expedição de Ofício ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro com cópia integral do presente relatório.
3.10 – Pela realização de Auditoria Governamental Extraordinária, prevista no art. 49, § 1º, alínea c do Regimento Interno desta Corte de Contas, por meio de Inspeção, em todos os Órgãos da Administração Municipal de Paraty, em especial no Fundo Municipal de Saúde. Deverá ser abrangido o período de 2005 até o exercício em curso à época desta Decisão (exceto o período de janeiro de 2010 a outubro de 2011 especificamente quanto à Prefeitura, por já estar abordado no presente relatório), tendo por objeto:
- Dar continuidade as apurações objeto da denúncia formulada no processo TCE nº 217.452-9/11, em especial quanto à avaliação dos controles internos de tesouraria e dos procedimentos relacionados à retenção e ao registro contábil de impostos e consignações.
- Realizar auditoria de sistema com o objetivo apurar as condições de funcionamento e utilização do software utilizado pela Prefeitura de Paraty, tendo em vista que as apurações efetuadas demonstram indícios de que o sistema tenha sido de fato utilizado como base para efetivação das irregularidades. As apurações deverão ainda, se for o caso, o apurar o grau de participação e comprometimento da empresa fornecedora do software e de seus responsáveis.
3.11 - Comunicação, nos termos do § 1º do art. 6º da Deliberação TCE nº 204/96, na forma do artigo 26 e incisos do Regimento Interno desta Corte de Contas, aprovado pela Deliberação TCE nº 167/92, ao atual Prefeito de Paraty, Senhor José Carlos Porto Neto, da decisão desta Corte, bem como para que:
3.11.1- Instaure Tomada de Contas Especial, com fulcro no artigo 10 da Lei Complementar Estadual nº 63/90, através do Órgão Central de controle interno - ou equivalente - em razão dos fatos apontados no tópico 1.4.3 do presente Relatório de Inspeção, devendo-se observar o disposto nos artigos 34 e 35 da Deliberação TCE nº 200/96, bem como o contido nas Deliberações TCE números 165/92, 193/96 e 219/00 - alertando-o, ainda, para o disposto no artigo 63, inciso IV, da Lei Complementar nº 63/90, nos seguintes termos:
- Escopo - movimentos diários de tesouraria dos dias 29/01/2010, 26/02/2010, 31/05/2010, 31/08/2010 e 30/06/2011.

- Objetivo – considerando que estes movimentos diários de tesouraria apresentam diversos lançamentos atípicos e ajustes (como exemplo: estornos de lançamento, retenções com sinal invertido etc.), não sendo possível a comparação imediata entre o montante das despesas pagas com o respectivo valor das retiradas bancárias, seguindo o esquema a seguir demonstrado:

Despesas Pagas
Retiradas Bancárias
(-) Retenções (ISS, IRRF, INSS, consignações etc)
(-) Ajustes (transferências, deduções de
receita etc)
= Valor líquido das Despesas Pagas

= Valor Líquido das Retiradas Bancárias





- Elaborar um demonstrativo evidenciando a conciliação entre os processos pagos e as respectivas retiradas bancárias para estes dias, discriminando no caso das despesas, os valores brutos, as retenções e os valores líquidos para cada processo pago.
3.11.2 – Encaminhe os seguintes documentos e informações relativamente às apurações da Comissão de Sindicância instaurada pela Portaria nº 604/2011:
3.11.2.1 – Cópia dos relatórios e dos resultados das apurações efetuadas no âmbito da sindicância e dos demais processos administrativos e de tomada de contas dela decorrentes, informando ainda as providências adotadas em cada caso.
3.11.2.2 – Cópia de todos os cheques e autorizações de débitos listados no tópico 2.1 do Relatório, com a identificação dos responsáveis pela respectiva emissão de cada documento.
3.11.3 - Cumpra as determinações a seguir elencadas, alertando-o para o disposto no artigo 63, inciso IV, da Lei Complementar nº 63/90:
3.11.3.1 – Determinação para que sejam adotadas as seguintes providências visando o adequado funcionamento do Órgão Central de Controle Interno de acordo com sua missão institucional prevista no art. 74 da Constituição Federal, nos artigos 53 e 54 da Lei Complementar nº 63/90 e Lei Municipal 547/07, em especial quanto à (Conforme tópico 2.1 do Relatório):
- Implantação de procedimentos para realização de inspeções e auditorias no processo de arrecadação e registro das receitas municipais.

- Implantação de procedimentos de levantamento e avaliação das rotinas de controles internos, em especial quanto aos controles de tesouraria.
3.11.3.2 – Determinação para que sejam implantados procedimentos de revisão e análise dos registros constantes na contabilidade, em especial quanto à conta “CAIXA”, designando necessariamente um servidor independente daquele encarregado de classificar e lançar os registros, de modo a assegurar a correção dos lançamentos e do resultado das operações refletidas nos demonstrativos contábeis, garantindo assim o fiel cumprimento da Lei Federal n.º 4.320/64. (conforme tópico 2.1 do Relatório)
3.11.4 – Encaminhe a este Tribunal de Contas, a fim de subsidiar futuro monitoramento, um PLANO DE AÇÃO, em prazo a ser definido pelo Egrégio Plenário, que deverá ter como conteúdo mínimo, as informações presentes na tabela-modelo a seguir, alertando-o sobre o prazo máximo de 90 (noventa) dias para o cumprimento das determinações, bem como para o disposto no artigo 63, inciso IV, da Lei Complementar nº 63/90:


Tabela de ações que serão implementadas Decisão Plenária
Ação a ser implementada
Prazo para implementação
Responsável pela implementação
Citar o subitem das determinações constantes no item 3.11.3 da presente Proposta de Encaminhamento.
Indicar as medidas que serão tomadas, a fim de dar cumprimento à determinação. Caso haja necessidade de várias medidas para uma única determinação, todas as medidas deverão ser discriminadas
Informar a data em que as medidas estarão implementadas (o prazo para o cumprimento integral da determinação não poderá ultrapassar a 90 (noventa) dias corridos, a contar da data de ciência da decisão plenária).
Indicar a pessoa responsável pela implementação das ações.

COMENTÁRIOS DO GESTOR – Registrar eventuais obstáculos ou dificuldades para a implementação das medidas (inclusive quanto ao prazo) e, ainda, outras considerações que julgar importante.

3.11.5 – Apresente os esclarecimentos quanto ao fato de que, em diversos processos examinados não ocorreu a devida retenção do ISSQN no momento do pagamento, conforme evidenciado no tópico 2.2 do Relatório – “2.2 – Ocorrência de pagamentos sem a retenção do ISSQN no montante de R$47.832,72”.

3.12 - Comunicação, com fulcro no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ n.º 204/96, ao Sr. André Inácio Magarão, Controlador Geral do Município de Paraty, na forma do artigo 26 e incisos do Regimento Interno deste Tribunal, aprovado pela Deliberação TCE-RJ n.º 167/92, para que, em cumprimento ao disposto nos artigos 70 a 74 da Constituição Federal/88, tome ciência das irregularidades/impropriedades apontadas no presente Relatório e acompanhe a implementação das medidas indicadas no item 3.11.3 da presente proposta de encaminhamento, para saneamento das mesmas.
3.13 – Ciência à 3ª Inspetoria Geral Municipal – 3ª IGM, considerando:
- O disposto no Capítulo 2, seção B, item 10 do Manual de Auditoria Governamental, segundo o qual “O resultado das auditorias governamentais, independente de outras proposições e decisões plenárias, deverá subsidiar o exame da prestação de contas”;
- que o artigo 39, incisos III e IV da Lei Complementar nº 63/90 dispõe que um dos objetivos das inspeções e auditorias é a instrução do julgamento das contas, considerando que uns dos critérios para a regularidade das contas é a exatidão dos demonstrativos contábeis nos termos do artigo 20, inciso I desta mesma Lei Complementar;
- sua competência para exame das prestações de contas previstas na Deliberação TCE 200/96, bem como para exame dos atos de encaminhamento obrigatório previstos na Deliberação TCE nº 245/07:
3.13.1 - Quanto ao teor do presente relatório, para adoção das providências que julgar cabíveis, quando da análise das prestações de contas e demais processos de sua competência originados do Município de Paraty.
3.14 - Ciência à Inspetoria de Auditoria Municipal - IAM da decisão Plenária, objetivando o futuro Monitoramento das determinações efetuadas à Prefeitura Municipal de Paraty.”

O Ministério Público Especial, representado pelo Procurador-Geral Horacio Machado Medeiros, à fls. 2506v, manifesta-se no mesmo sentido.

É o Relatório.
Fato é, tudo indica, que ocorreu uma série de atos de improbidade administrativa, lesivos ao erário do Município de Paraty, praticados por servidores públicos do Poder Executivo. Atos estes fraudulentos, em que recursos públicos foram deliberadamente subtraídos da conta da Prefeitura. Resta, ainda, a manifestação e identificação dos responsáveis, já que a apuração dos fatos e a quantificação do dano já se encontram delineados neste processo. Daí a pertinente proposta de conversão deste administrativo em Tomada de Contas Especial.
Entendo, inclusive, dada a gravidade da situação e a apuração que dela se fez, que esta Corte deve adotar atitude exemplar na condução da matéria e punição aos responsáveis, tão logo estejam devidamente identificados, de forma a inibir atitudes semelhantes em quaisquer esferas de Poder. Nesse contexto, a sugestão de realização de nova Inspeção, agora em todos os órgãos do Município parece-me não só bastante adequada, mas indispensável.
Apenas a título ilustrativo, como se depreende do Relatório constante do Processo TCE-RJ nº 200.677-2/12, em anexo, que versa sobre Denúncia encaminhada pelo próprio Prefeito do Município, o desfalque se dava da seguinte maneira: No pagamento aos Prestadores de Serviços do Município era retido, por exemplo, R$ 50.000,00 de Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza – ISSQN. Porém, desse valor, somente era lançado, contabilmente, R$ 10.000,00. O saldo, de R$ 40.000,00 era sacado “na boca do caixa bancário”. Os cheques utilizados nestas operações, por sua vez, figuravam como nulos no canhoto dos talões da Tesouraria, ou seja, o dinheiro entrava financeiramente, mas não contabilmente, o que facilitava os desvios.
Saindo da esfera do imaginário, vale ressaltar o que ocorreu no dia 02.09.2011. Houve o pagamento a empresa Locanty Comércio e Serviço Ltda., empenho 22-000, no valor de R$ 798.387, 86, devendo ter sido retido R$ 39.919,39, a título de ISS, no percentual de 5%. Entretanto, o aviso de crédito relativo à receita de ISS do referido fornecedor para esta data foi de R$ 24.919,39, ou seja, havendo uma diferença de exatos R$ 15.000,00. Analisando o movimento de Tesouraria dessa data, constata-se que houve a emissão de um cheque do Banco do Brasil (nº 851742), no valor de R$ 5.200,00. Paralelamente, há um aviso de débito na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 9.800,00, ambos sem os respectivos empenhos, totalizando os exatos R$ 15,000,00 !
Somente no período de janeiro de 2010 a outubro de 2011, a Equipe de Inspeção identificou desvios de recursos da ordem de 260.004,04 UFIR-RJ, que atualizados, nesta data, correspondem a R$ 591.561,19 (quinhentos e noventa e um mil, quinhentos e sessenta e um reais e dezenove centavos).
Trata-se, indubitavelmente, de uma verdadeira “quadrilha” infiltrada nas entranhas da Administração Municipal de Paraty. O tamanho do rombo não se pode nem sequer dimensionar, o que uma Inspeção mais abrangente, em todos os órgãos do Município, desde o exercício de 2005, com certeza, o fará, visto que o apurado nesta Inspeção pode ter sido, apenas, a ponta do “iceberg”.
Entendo, ainda, que as informações coletadas pela Equipe de Inspeção, contidas no presente Relatório de Inspeção Especial, pelo princípio da transparência e pela gravidade dos fatos que relatam, não devam seguir o rito do procedimento sigiloso, com exceção do processo TCE-RJ nº 217.452-9/11, já analisado em Plenário, que trata da Denúncia inicial, com o fito de preservar o anonimato do denunciante.
A ciência da metodologia utilizada para desviar recursos públicos, como se verificou neste processo, deve, inclusive, estar ao alcance dos gestores públicos, como forma de alertá-los e evitar situações análogas.
Assim sendo, manifesto-me de acordo com o Corpo Instrutivo e com o Ministério Público Especial, e
VOTO:
I - Pela CONVERSÃO do presente processo em TOMADA DE CONTAS ESPECIAL ex offício, com fulcro no artigo 52 da Lei Complementar nº 63/90.
II - Pela CITAÇÃO do Sr. José dos Santos Pádua Filho, Secretário de Finanças do Município de Paraty, à época dos fatos apurados neste processo, nos termos da Lei Orgânica desta Corte em vigor, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente razões de defesa ou recolha, solidariamente com a Sra. Eni Correa Duarte Coelho, Tesoureira do Município de Paraty, à época dos fatos, o débito da ordem de 260.004,04 UFIR-RJ, que, atualizado, nesta data, corresponde a R$ 591.561,19 (quinhentos e noventa e um mil, quinhentos e sessenta e um reais e dezenove centavos), em face do desvio de recursos da conta da Prefeitura Municipal de Paraty, durante os exercícios de 2010 e 2011.
III - Pela CITAÇÃO da Sra. Eni Correa Duarte Coelho, Tesoureira do Município de Paraty, à época dos fatos apurados neste processo, nos termos da Lei Orgânica desta Corte em vigor, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente razões de defesa ou recolha, solidariamente com o Sr. José dos Santos Pádua Filho, Secretário de Finanças do Município de Paraty, à época dos fatos, o débito da ordem de 260.004,04 UFIR-RJ, que, atualizado, nesta data, corresponde a R$ 591.561,19 (quinhentos e noventa e um mil, quinhentos e sessenta e um reais e dezenove centavos), em face do desvio de recursos da conta da Prefeitura Municipal de Paraty, durante os exercícios de 2010 e 2011.
IV – Pela NOTIFICAÇÃO da Sra. Rosangela Reinalda Ramos, Diretora do Departamento de Contabilidade da Prefeitura Municipal de Paraty, nos termos da Lei Orgânica desta Corte em vigor, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente razões de defesa para o fato transcrito no item 3.5 de meu Relatório.
V - Pela NOTIFICAÇÃO do Sr. André Inácio Magarão, Controlador Geral do Município de Paraty, nos termos da Lei Orgânica desta Corte em vigor, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, apresente razões de defesa para o fato transcrito no item 3.6 de meu Relatório e para que tome ciência das Determinações consubstanciadas no item 3.12 do citado Relatório.
VI - Pela COMUNICAÇÃO aos responsáveis pela empresa SMARAPD Informática Ltda., localizada na Rua Aurora, 446, Vila Tibério, Ribeirão Preto - São Paulo - CEP: 14050-100, nos termos da Lei Orgânica desta Corte em vigor, para que, no prazo de 30 (trinta) dias, esclareça a questão levantada no item 3.7 de meu Relatório.
VII – Pela EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO às unidades de Auditoria Interna do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, para ciência e providências cabíveis relativamente à ocorrência de diversos saques irregulares em contas correntes da Prefeitura de Paraty nas respectivas agências localizadas naquele município, considerando a possível inobservância à Lei Federal nº 9.613, de 3 de março de 1998 e à Circular nº 3461, de 24 de julho de 2009, do COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras, conforme tópico 2.1 do Relatório.
VIII – Pela EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, com cópia integral do presente relatório, para ciência dos fatos, no que tange as providências que julgar cabíveis.
IX – Pela DETERMINAÇÃO de realização de INSPEÇÃO EXTRAORDINÁRIA, em todos os Órgãos da Administração Municipal de Paraty, em especial no Fundo Municipal de Saúde, considerando o período de 2005 até o exercício em curso à época desta Decisão (com exceção do período de janeiro de 2010 a outubro de 2011 quanto à Prefeitura, por já estar abordado no presente relatório), tendo por objeto os questionamentos consubstanciados no item 3.10 de meu Relatório.
X - Pela COMUNICAÇÃO ao atual Prefeito de Paraty, Sr. José Carlos Porto Neto, nos termos da Lei Orgânica desta Corte em vigor, para que, no prazo de 60 (trinta) dias, Instaure TOMADA DE CONTAS ESPECIAL, com os fins propostos no item 3.11.1 de meu Relatório, bem como para que atenda às Determinações consubstanciadas nos itens 3.11.2, 3.11.3, 3.11.4 e 3.11.5 do mencionado Relatório.
XI – Pela CIÊNCIA à 3ª Inspetoria Geral Municipal – 3ª IGM das considerações transcritas no item 3.13 de meu Relatório
XII – Pela CIÊNCIA à Inspetoria de Auditoria Municipal - IAM da presente decisão, objetivando o futuro Monitoramento das determinações efetuadas à Prefeitura Municipal de Paraty.

GC-2, de de 2012.
JOSÉ GOMES GRACIOSA
Conselheiro Relator

12 de jul de 2012

Resposta referente à matéria veiculada no Jornal de Paraty



Abaixo email enviado ao Sr Luiz de Carvalho, Diretor Responsável pelo Jornal de Paraty, contendo nossa resposta e pedido de sua publicação por parte do jornal que veiculou a matéria acima.


                 Encaminhamos ao Sr Luiz de Carvalho Resposta referente à matéria veiculada em seu jornal intitulada “É Mentira – Calúnia: Quem se responsabiliza?” no período de 28 de junho a 2 de julho, à página 5 que gostaríamos ver publicada.

 Atenciosamente
Pelo Movimento Amamos Paraty em fase de reconhecimento
Maria Benedita Teresa - Adriana Pereira da Cruz - Messias da Silva


Paraty   11   , de julho de 2012

     Em resposta ao artigo “É Mentira! – Calúnia: Quem se responsabiliza?” publicado no Jornal de Paraty, edição 820, de 26 de junho a 2 de julho de 2012, e, assinado pela Sra Bernadete Passos comunicamos que os nossos questionamentos partem de matéria publicada no Jornal Folha de Paraty, pág 03, datado de 09/04/2010, subordinada ao título “Santa Casa das Artes”o que infelizmente não mereceu da parte da referida Senhora a mesma ânsia de resposta. Ao não ser exercido o direito de resposta pela Casa Azul através da Sra Bernadete ou através de qualquer outro responsável habilitado da referida OSCIP, quem somos nós para não tomar como “verdade” o que os senhores consentem.
     A ambigüidade notória dos documentos a que tivemos legítimo acesso só reforça o nosso direito de questionarmos intenções, transparência, legitimidade e legalidade.
     Preocupe-se Sra Bernadete em publicitar com seriedade as ações que se propõe a Associação que integra, e assim, poupará palavras e dissabores. Com a formação curricular que invoca, e, com os princípios morais que apregoa, seria desnecessário termos de desenvolver a atividade que graciosamente desenvolvemos.
     Pode a Senhora dizer o mesmo?
     Aproveitamos para lhe perguntar se não é mais importante revelar à população, com total clareza e transparência, qual a intervenção da Casa Azul na Santa Casa das Artes desde o início e para os próximos anos, em vez de questionar quem somos, pois a ser assim, parece ser a senhora a única desconhecedora da resposta.
     Aproveitamos para questionar se a Casa Azul ambiciona ser uma extensão do Poder Executivo de Paraty? Posto isto quem calunia e quem difama?
     Quanto a “Restauração” da Praça da Matriz vangloria-se de “sem usar um tostão de recurso municipal...”, questionamos se o “tostão” a que se refere sendo Municipal, Estadual ou Federal não tem sempre origem no cidadão brasileiro que paga seus impostos?
     Questionar a atuação de entidades como a que a senhora representa é sim sinônimo de “Democracia”. Votar ao obscurantismo as referidas atuações, isto sim, nos remete para a época funesta da “Ditadura”.

Abaixo transcrição da matéria veiculada no jornal :
 
Íntegra da matéria sobre a Santa Casa das Artes- publicado no jornal “Folha de Paraty” pág 03 de 09/04/2010.

SANTA CASA DAS ARTES

Prefeitura assina termo de cooperação com a Casa Azul cedendo por 20 anos prédio público ainda em funcionamento, para desenvolver projeto cultural sem passar pela Câmara Municipal

A Santa Casa ainda não fechou e o novo hospital não está pronto, mas a Prefeitura Municipal de Paraty já assinou um termo de cooperação com a Casa Azul para a realização do projeto Santa Casa das Artes, que consiste em utilizar o espaço para a realização de atividades culturais e artísticas. Por meio do termo a Prefeitura se compromete a destinar o imóvel para fins culturais pelo período mínimo de 20 anos, assim como colaborar com a realização do projeto mediante a participação da Secretaria Municipal de Turismo e Cultura e da Secretaria Municipal de Planejamento. A Associação Casa Azul é uma  instituição sem fins lucrativos, no entanto sua diretoria é remunerada, o que impede certos tipos de acordos e negócios com a coisa pública. Podemos entender no edital abaixo que a Prefeitura Municipal irá ceder o prédio da Santa Casa pelo prazo de 20 anos a casa Azul de maneira irrevogável. O que causa estranheza é que o termo “cessão” foi substituído por “termo de cooperação”, o que isenta tal documento de ser aprovado pela Câmara Municipal. Causa mais estranheza ainda a Secretaria de Turismo e Cultura com tanta verba disponível ter que entregar os prédios públicos para a administração de terceiros. Os vereadores deveriam solicitar ao Poder Executivo mais detalhes sobre o “termo de cooperação” assinado, aproveitando para tornar seus termos mais claros e objetivos, para que todos possam entender.

Matéria do jornal A Cidade

Matéria do jornal A Cidade

7 de jul de 2012

PROTESTOS DOS MORADORES DA TRINDADE






 
        Policiais Federais e agentes do Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram, ontem, uma operação para retirada de alguns dos quiosques da Praia do Meio, na Vila de Trindade, em Paraty. De acordo com informações, moradores fecharam a entrada que dá acesso à comunidade de forma que ninguém pudesse entrar ou sair do vilarejo. Mesmo assim, os proprietários dos quiosques  retiraram seus pertences para que eles fossem demolidos.




















      Dezenas de pessoas participaram de uma manifestação durante a Festa Internacional Literária de Paraty (Flip) nesta quinta-feira (5), contra decisão judicial de demolição de quiosques na Praia do Meio, em Trindade, que estariam em território do Parque Nacional de Bocaina. Os moradores da área, conhecidos como caiçaras, temem que depois dos quiosques as atingidas sejam suas moradias.
      "Os limites do parque que cobre toda a região nunca foram totalmente delimitados", afirma o advogado Ademir Porto, representante da Associação de Moradores da Vila de Trindade. "O fato deu brecha para que o diretor mudasse estes limites constantemente, invadindo a região onde moram os caiçaras", acrescenta Porto.
    "Só que o diretor não tem autoridade legal para refazer ou redimensionar estas demarcações. Ele arbitrariamente foi mudando os limites do parque até chegar na área onde moram e trabalham os caiçaras, em plena Praia do Meio", reclama.

      Os moradores também denunciam que desde a ampliação dos limites do parque, os sistemas de água e esgoto, e a limpeza do cemitério foram cancelados, com alegação de que estariam dentro da região preservada. "Muitos dos foram expulsos do litoral acabaram engrossando as favelas da região. É isso vai acontecer aqui se não fizermos nada", afirma Estela Oliveira, uma das atingidas.
      A demolição dos quiosque, segundo o advogado, trará "prejuízo econômico para os moradores, já que muitos comerciantes fizeram grandes estoques de alimentos e comidas para a Flip e não estão podendo trabalhar". Ele acusa ainda a direção do parque de querer "fechar o acesso a praia, que é muito turística. Isso vai acabar com a economia local, e o pior, eles não vão ser indenizados".
      Segundo os manifestantes, há ainda pressão do condomínio Laranjeiras, vizinho à área, para eliminar as construções mais humildes e "limpar a praia" dos moradores, na maioria de renda mais baixa. "Não é interessante ficar com os caiçaras na frente, então a solução é sufocar o povo economicamente, pois assim, elimina-se as suas formas de subsistência", diz Estela.
      O advogado lembra que diversas queixas foram feitas e abertos processos individuais contra o parque. "Tivemos uma reunião com o promotor, mas nada foi feito". Na última semana, o Parque entrou com ação pública em Angra dos Reis contra os moradores e conseguiu autorização do juiz para as demolições. "Depois que mudaram os limites silenciosamente, entraram na justiça", afirmou o advogado.
      O Jornal do Brasil tentou contato com o Ibama, o Instituto Chico Mendes (ICM) e a diretoria do Parque Nacional de Bocaina, mas não conseguiu localizá-los.

Outros conflitos

      Os conflitos envolvendo a retirada de caiçaras das praias da região não são incomuns. Em junho, depois de muitas manifestações, a 15ª Vara Cível do Rio de Janeiro começou a decidir se a família de Manoel de Remédios manterá a posse da Praia de Martin de Sá, onde vive há pelos menos seis gerações. O julgamento é o resultado de uma batalha judicial que se arrasta há quase 14 anos. O decisão acabou adiada.
A praia fica na Reserva Ecológica da Juatinga, criada em 1992, com o objetivo de fomentar a cultura local e preservar o meio-ambiente. Segundo Flávia Oliveira, advogada da ONG Verde Cidadania, o problema começou em 2000, quando uma reforma nas leis ambientais reclassificou as regiões, mudando as formas de preservação de cada área.
      Pela nova legislação, a reserva viraria um Parque Nacional onde é proibido qualquer tipo de habitação. "Esta recategorização ainda não aconteceu, por isso a briga na justiça. É importante frisar que o estilo de vida dos caiçaras é uma cultura a ser preservada", conclui Flávia.

fonte: http://www.jb.com.br/ambiental/noticias/2012/07/05/moradores-protestam-na-flip-contra-demolicoes-em-trindade/

Liberdade para Trindade!!!! Publicado em 04/07/2012 por poliveira413 Declaração de morador da Vila de Trindade, Paraty RJ. Alguns moradores da Praia do Meio receberam declaração de despejo de suas casas e estabelecimentos comerciais.

Revista acusa família Marinho e Camargo Correa de construir mansões em áreas de preservação


18/03/12 - 17:50
POR Andre Barcinski 


 Reportagem da revista norte-americana “Bloomberg Markets”, em sua edição de abril, acusa a empreiteira Camargo Correa, a família Marinho e o cineasta Bruno Barreto, entre outros, de construir mansões ilegais em áreas de preservação ambiental na região de Paraty (RJ).

A reportagem, assinada por Adriana Brasileiro, diz também que Antonio Claudio Resende, um dos maiores acionistas da locadora de carros Localiza, construiu uma mansão ilegal de 1752 m2 numa ilha (veja foto acima).
“Resende está entre os muitos milionários que passam finais de semana e férias em casas construídas em violação a leis ambientais estaduais e federais”, diz a reportagem.
Segundo a “Bloomberg”, membros da família Marinho, dona das Organizações Globo, construíram uma casa de 1300 m2, com heliporto e piscina, em uma área que deveria ser preservada, próxima à praia de Santa Rita, em Paraty.
O projeto (veja aqui), de autoria do arquiteto Marcio Kogan, ganhou até um prêmio da revista “Wallpaper”.
“Os ricos usam advogados para ‘dobrar’ leis, mentem para autoridades em pedidos de alvará de obras, destroem ilegalmente áreas preservadas e rios e privatizam praias, contratando guardas armados para impedir visitantes”, diz a reportagem.
Outro acusado é o cineasta Bruno Barreto. Segundo a “Bloomberg”, ele destruiu área de preservação na Ilha do Pico, na Baía de Paraty.
“O cineasta Bruno Barreto prometeu a um tribunal, em janeiro de 2008, que iria demolir sua casa e devolver a área a seu estado original num prazo de dois anos. Quatro anos depois, Barreto continua na propriedade”, afirma o texto.
Quem quiser ler a íntegra da reportagem, acesse aqui.

 
REPORTAGEM ORIGINAL

Brazil’s Rich Show No Shame Building Homes in Nature Preserves

By Adriana Brasileiro - Mar 8, 2012 2:00 AM GMT-0300
Bloomberg Markets Magazine



From the sparkling, emerald-green waters of the Atlantic off the east coast of Brazil, Cavala Island looks like a tropical paradise of lush vegetation framed by giant rocks. It’s also where millionaire Antonio Claudio Resende, a founder of Latin America’s largest car-rental company, became a squatter.

There, starting in 2006, he cleared pristine jungle where wild bromeliad flowers grow to make way for a 1,752-square-meter mansion, according to the Rio de Janeiro state environmental agency. The house -- which is built partially underground and hidden by surrounding lush forest -- is visible only from above by aircraft.
Resende, 65, broke the rules that gave him the right to occupy the land on a nature preserve, not to build a large home, Brazilian federal judges found. He has been fighting civil and criminal charges against him for more than four years, filing appeals while defying court orders to demolish the house and leave, Bloomberg Markets magazine reports in its April issue.
Resende is among scores of millionaires who spend weekends and vacation time in homes built in violation of state and federal environmental rules on some of the most beautiful real estate in Brazil, Rio’s state environmental institute, INEA, found in an August 2011 report.
The squatters include movie director Bruno Barreto, who destroyed preserved land on Pico Island in Paraty Bay, prosecutors say.

Beachfront Compounds

Others, such as the family that controls multinational construction giant Camargo Correa SA, received government permission to build small houses in a nature preserve -- and instead constructed beachfront compounds.
Heirs to Roberto Marinho, who created Organizacoes Globo, South America’s biggest media group, built a 1,300-square-meter (14,000-square-foot) home, helipad and swimming pool in part of the Atlantic coastal forest that by law is supposed to be untouched because of its ecology.
Hollywood producers chose a Polynesian-style mansion on the Mamangua Inlet as the romantic setting for a sex scene in “The Twilight Saga: Breaking Dawn Part 1,” the fourth movie in the teen vampire series. The house was built by millionaire squatter Icaro Fernandes, an executive in the food distribution industry.
All Brazilian beaches are public by law. Wealthy Brazilians do whatever they want on land that often doesn’t belong to them, says Eduardo Godoy of the Paraty office of the Chico Mendes Institute for Biodiversity Conservation, or ICMBio, which manages federally protected areas.

‘Not What the Law Says’

“They think they are the only ones who deserve to enjoy a piece of paradise because they are rich,” Godoy says. “They say they are the owners of the island or the beach, and everybody believes them. But that’s not what the law says.”
Fernandes declined to comment. Rogerio Zouein, his lawyer, admitted that Fernandes had built a house without a license. Zouein told prosecutors in April 2011 that Fernandes would restore 95 percent of his property to its original condition if he could stay in the home. Prosecutors were evaluating the request as of early March.
That court response is a common way that many of the wealthy squatters use to handle judges’ orders. They typically don’t deny they’ve harmed the environment and instead pledge to undo the damage. After that, they take no action.

Broken Promise

Film director Barreto promised in court in January 2008 that he would demolish his house and put the area back to its original state within two years. Four years later, Barreto remains on the property, having left it intact, prosecutors say. Barreto, who is appealing government complaints again him, declined to comment.
As the wealthy in Brazil get richer from the fastest economic growth there in more than two decades, the unlawful use of public land is increasing in nature preserves, says Godoy, whose federal environmental agency in Paraty, a 17th-century colonial town about 250 kilometers (155 miles) south of Rio de Janeiro, faces a bay filled with illegally occupied islands.
Squatters have chosen to reside in the Cairucu, Juatinga and Tamoios conservation areas, in forests and on islands, with rivers, waterfalls and beaches where sea turtles nest. The rich use attorneys to dodge laws, lie to authorities on construction permit requests, illegally destroy preserved land and rivers and privatize beaches by hiring armed security guards to keep out visitors, Godoy says.
Law enforcers and judges pushing to remove squatters from nature preserves have little clout, says Fernando Amorim Lavieri, a federal prosecutor who spent three years in the Paraty area. Rich Brazilians can get away with almost anything, Lavieri says.

‘Drag On’

“The law is the same for the poor and the rich, but the rich have the best lawyers,” he says. “Lawsuits against them drag on in court for years.”
Brazil’s economy, fueled by a credit surge and booming exports during the past decade, has boosted the value of assets, including real estate, stocks, bonds and commodities, thereby creating 19 new millionaires every day in a country of 190 million people, according to the 2010 World Wealth Report by Capgemini SA (CAP) and Bank of America Merrill Lynch.
Brazilians have a collective net worth of $890 billion, or 39 percent of all individual assets in South America, according to a November 2011 report by Wealth-X, a Singapore-based research firm.
Squatters take advantage of loopholes in the laws, Lavieri says. Starting in 1983, the federal government enacted laws to preserve the regions of Paraty and nearby Angra dos Reis because rare species at risk of extinction inhabit them. Local statutes allow some people to live there because indigenous fishing families have been in now-preserved areas for generations.

‘Follow the Rules’

Everyone who buys a right to a property in a conservation area must follow strict limits on what they can build, if they’re allowed to build at all.
“If they don’t follow the rules, the government can revoke their right to occupy the land and order them to demolish whatever they built,” says Jose Olimpio Augusto Morelli, an environmental analyst who heads the office of Ibama, Brazil’s federal environmental agency, in Angra dos Reis.
Ibama ordered Resende to tear down the house he was building on Cavala Island.

Forged Documents

Federal prosecutors charged Resende, vice chairman and the largest shareholder of Localiza Rent a Car SA, with fraud and environmental crime in November 2007. Resende had filed forged documents in seeking permits to build his mansion on Cavala Island, according to the criminal charges.
In March 2008, federal police, Ibama and state government agents raided Cavala from two speedboats and found the hidden paradise. In that raid, Morelli says, he saw two huge machines that Resende used to excavate more than 2,000 square meters of earth to hide his mansion below the tree line.
“I saw a fireplace big enough to fit a car, and there were huge piles of marble everywhere, waiting to be placed on the floors and walls,” Morelli says.
Prosecutors sued Resende in a civil case in August 2008, saying he had violated environmental rules.
Resende paid 4.8 million reais ($2.8 million) in November 2005 to AC Lobato Engenharia SA, an engineering company based in Angra dos Reis that had previously owned the right to occupy the land, according to a federal police investigation.
Resende has been appealing the civil and criminal accusations. He said in a court-filed response that federal judges shouldn’t rule on the case because the Tamoios conservation area was created by a state decree. Sergio Rosenthal, his lawyer, said in court that Resende doesn’t know anything about fraud or forged documents.

Only Tropical Fjord

On the other side of Paraty Bay, Icaro Fernandes, owner of Rhino Participacoes & Distribuidora de Alimentos Ltda., a Sao Paulo-based wholesale food distributor, bought a 400,000-square- -meter piece of land in 2003 on Praia da Costa beach on the Mamangua Inlet.
The property, in the 8,000-hectare (19,800-acre) Juatinga ecological preserve, is protected because it’s home to the only tropical fjord in South America. The spot is flanked by mountains covered with virtually untouched forest where monkeys, anteaters and jaguars live.
Fernandes constructed a two-story, 666-square-meter home on the beach, prosecutors say in a civil court case against him. The 15-room house has wooden shutters and glass-panel windows on the ground floor. A guesthouse and a housekeeper’s chalet sit up a hill.

Fernandes Sued

Federal prosecutors sued Fernandes in November 2004 for not obtaining an environmental license to build. He had cut down parts of the protected forest, filled in a stream and removed coastal vegetation, federal prosecutor Patricia Venancio wrote in a Jan. 3, 2006, report.
A court ordered Fernandes in 2004 to stop construction, and he didn’t. Since then, he’s been appealing judicial demands to tear down the house he completed and restore the land to its original state, according to a September 2011 report by ICMBio.
Paul Pflug, a spokesman for Summit Entertainment Corp., (SUET) says the company isn’t aware of prosecutor accusations regarding the property where it filmed Breaking Dawn.
Most millionaires register properties in the names of holding companies, allowing them to pay lower taxes and making it more difficult for the government to know who’s responsible for environmental crimes, says Ricardo Martins, a federal prosecutor. Often, the companies are controlled by other companies based in tax havens.

Modernist Home

That’s the case with the Marinho media family. The Marinhos broke environmental laws by building a 1,300-square-meter mansion just off Santa Rita beach, near Paraty, says Graziela Moraes Barros, an inspector at ICMBio.
Without permits, the family in 2008 built a modernist home between two wide, independent concrete blocks sheathed in glass, Barros says. The Marinho home has won several architectural honors, including the 2010 Wallpaper Design Award.
The Marinhos added a swimming pool on the public beach and cleared protected jungle to make room for a helipad, says Barros, who participated in a raid of the property as part of the federal prosecutors office’s lawsuit against construction on the land.
“This one house provides examples of some of the most serious environmental crimes we see in the region,” Barros says. “A lot of people say the Marinhos rule Brazil. The beach house shows the family certainly thinks they are above the law.”

Armed Guards

Two security guards armed with pistols patrol the land, shooing away anyone who tries to use the public beach, she says. A federal judge in November 2010 ordered the family to tear down the house and all other buildings in the area. The Marinhos were appealing that ruling as of early March.
Their lawyer, Corina Tarcila de Oliveira Resende, who’s not related to Antonio Claudio Resende, declined to comment.
Barreto built his dream house on an island 15 kilometers from the Marinho compound. The film director has no right to use the land, police say. Prosecutors charged Barreto in February 2006 with illegally clearing protected forest in an area that belongs to Brazil’s navy.
A September 2008 inspection by ICMBio found that Barreto had built a 450-square-meter mansion on top of rocks that surround the island -- a crime because the area is protected as a breeding ground for several species, ICMBio’s Godoy says.
Barreto, who was married to actress Amy Irving and who directed “View From the Top” starring Gwyneth Paltrow and “Carried Away” with Dennis Hopper, hasn’t made good on his 2008 court promise to demolish the house. He and his lawyers, Arthur Lavigne and Fernanda Silva Telles, didn’t reply to requests for comment.

Billionaire Compound

The owners of Camargo Correa (CCIM3), Brazil’s largest construction conglomerate, also built on preserved land, Barros says. Agropecuaria & Comercial Conquista Ltda. and Regimar Comercial SA own the land. Fernando de Arruda Botelho is the owner of Agropecuaria.
He’s married to billionaire Rosana Camargo de Arruda Botelho. Regina de Camargo Pires Oliveira Dias, Rosana’s sister, owns Regimar. The family built a luxury compound in the Cairucu nature preserve, according to reports by Ibama. In October 2011, the family illegally built two 700-square-meter houses, adding to the already unauthorized construction, Barros says.
In June 2010, the beach was the venue for the wedding of Fernando Augusto Camargo de Arruda Botelho, Fernando Botelho’s son. About 800 guests attended.

Contradictory and Confusing

Fernando Botelho declined to comment. Regimar executive director Jose Sampaio Correa says the company obtained the required licenses for construction. He says environmental rules in conservation areas are sometimes contradictory and confusing. Brazil’s bureaucracy often makes it difficult to comply with the laws, he says.
“These actions are proof that they completely disregard the law, they take ownership of natural resources and believe their rights are greater than the rights of everybody else,” prosecutor Lavieri says.
As environmental investigator Morelli gets ready in his office for another boat raid one sunny January morning, he admires the beautiful islands and forests he sees from his windows. He says he dreams of a day when rich Brazilians will set the example of how to do things right. Until then, he says, money will continue to be more powerful than the law.

Editors: Jonathan Neumann, Gail Roche
To contact the reporter on this story: Adriana Brasileiro in Rio de Janeiro at abrasileiro@bloomberg.net.
To contact the editor responsible for this story: Jonathan Neumann at jneumann2@bloomberg.net

Construções irregulares avançam nas ilhas de Paraty


Fonte: O Globo, Taís Mendes
 
Um diagnóstico do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente responsável pelas unidades de conservação federais, concluído no fim do ano passado, revela que, das 63 ilhas da Baía de Paraty que fazem parte da Área de Proteção Ambiental Cairuçu, 25 apresentam construções irregulares.
De acordo com o documento, as ilhas estão ocupadas com casas, áreas de lazer e deques, entre outras edificações, que provocam desmatamento e impactos sobre a paisagem e a fauna. O documento, com 80 páginas, foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que acompanha o processo de repasse das ilhas para o domínio da APA.
Acompanhados de analistas ambientais da ICMBio, repórteres do O Globo foram, há dez dias, a algumas das 25 ilhas, como a do Breu, do Ventura, Duas Irmãs, Comprida e da Pescaria. A visita constatou irregularidades que farão parte de um novo relatório do instituto. As edificações ocupam áreas de preservação permanente, como costões rochosos, topos de morros e praias. As ilhas são bens da União e podem ser habitadas através de termos de ocupação ou aforamento, ambos títulos precários concedidos pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU). A ocupação exige o pagamento de taxa anual e regras para a construção de benfeitorias, mas a União pode, a qualquer tempo, retomar a posse.
O diagnóstico visou a atender ao Plano de Manejo da APA Cairuçu, unidade de conservação federal que, no decreto de sua criação, em 1983, diz que suas ilhas são Zona de Preservação da Vida Silvestre. Desde então, passou a ser proibida qualquer construção nas ilhas. Antes da criação da APA, valiam as regras estabelecidas pela SPU.
Os responsáveis pela APA Cairuçu têm movido esforços para cumprir seus objetivos de criação, entre eles a defesa da paisagem, da qual as ilhas são o expoente máximo. As ações de fiscalização estão ocorrendo de forma rotineira para evitar que novas edificações sejam erguidas. O objetivo é garantir o direito coletivo e difuso de usufruir dessa paisagem e do meio ambiente conservado – destacou a engenheira florestal Graziela Morais Barros, analista ambiental da ICMBio.
Plataformas avançam mar adentro na Ilha do Breu
A Ilha do Breu é a que mais impressiona. Em geral, há ilhas que possuem pousadas. Neste caso, porém, trata-se de uma pousada que possui uma ilha: deques, quiosques e grandes plataformas de lajes avançam mar adentro em todo o entorno da ilha, praticamente dobrando o tamanho do território. Além da pousada, que cobra diárias de até R$ 810, a ilha abriga restaurante e estabelecimentos comerciais que, segundo analistas ambientais da ICMBio, deveriam estar fechados.
“O restaurante é a minha casa e está fechado. E alugo quartos para pagar as despesas” – disse Márcio Gouveia, dono do termo de ocupação da ilha, que paga anualmente cerca de R$ 3 mil de taxa à SPU. Embora não faça parte da área de abrangência da Estação Ecológica de Tamoios, a ilha está dentro da área marinha da unidade de conservação e não poderia ter atividade comercial, segundo analistas do ICMBio. O diagnóstico ambiental relata que o empreendimento já foi alvo de autuação e embargo pelo Ibama quatro vezes.
Márcio alega que obteve o direito ao uso da ilha há 30 anos, numa época em que não havia leis ambientais. ”Quando fiz a obra, a maré era mais baixa, e as construções ficaram fora do mar” argumenta. Para conceder licença de uso das ilhas, a SPU exige, por exemplo, que a ocupação não comprometa as áreas de uso comum do povo, de segurança nacional e de preservação ambiental. Mas Márcio afirma que foi vistoriado diversas vezes e nunca foi contestado pela União.